quinta-feira, 18 de junho de 2009

Nesta semana, a revista Época apresenta reportagem sob o título: "Deus é pop".




A reportagem gravita em torno de uma pesquisa alemã que concluiu: "95% dos jovens brasileiros se dizem religiosos". Diz ainda que o jovem brasileiro tem buscado "formas inovadoras de expressar sua religiosidade".

De fato, durante décadas o homem buscou sem sucesso excluir Deus! Movimentos como o iluminismo e o comunismo buscaram tornar o homem a razão de ser do próprio homem. No entanto, e como já era esperado, as tentativas fracassaram. Também pudera, mesmo que de forma inconsciente, o homem busca a Deus.

Carl Gustav Jung já havia dito que "Deus é a necessidade mais forte e efetiva do homem, o fator mais poderoso e decisivo da alma individual, quando falta aparece a angústia “mal du siélce”. Mais de 60% de meus pacientes sofriam precisamente dessa angústia que procede da ausência de Deus”

Portanto, é natural para o homem orientar-se pela busca do sentido da vida: Deus.De outro lado, o que chama a atenção na pesquisa é a busca dos jovens pelos "meios inovadores" de expressarem sua fé. Na reportagem uma jovem diz: "A igreja não pode julgar. Ela tem de estar lá para transformar sua vida, e não sua aparência”. Parece-me que há um pequeno engano precisamente aí.

Com razão, a Igreja não deve julgar pela aparência das pessoas. Mas é importante que não busquemos a Deus somente naquilo que nos dá prazer, ou seja, não podemos adaptar Deus segundo os nossos próprios desejos e paixões. A revelação divina é uma só: Jesus Cristo. E durante sua revelação, muitos que o seguiam em um dado momento disseram: "Isto é muito duro! Quem o pode admitir?" (Jo 6, 60).

Com efeito, seguir a Cristo não se resume em falar ou fazer somente aquilo que se deseja. É preciso acolher a Verdade, ainda que esta exija mudanças interiores, lutas, perserverança. Afinal, não temos escolha se efetivamente queremos a Vida em plenitude. Tanto que S. Pedro afirma: "Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna" (Jo 6, 68).

É marcante o nosso momento cultural em que todos buscamos a satisfação de nossos desejos. Por isso a angústia é um grande mal que assola a maioria das pessoas. Não podemos, portanto, transportar essa necessidade de satisfação à Deus. Ele não é um objeto que se adapta às minhas aspirações.

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