Que fé é esta? De onde vem? Como fazer para tê-la?
A fé, portanto, é pressuposto da serenidade. E fé, segundo Luigi Giussani, é um método de conhecimento que se vale da razão. Justamente por isso não se trata de algo transcedental reservado somente aos crentes, mas também aos ateus, sem dúvida. Tenho fé nas palavras de meu pai porque confio nele, porque sua idoneidade me permite pensar assim, ou seja, tenho motivos para confiar. Com efeito, valho-me da razão para acreditá-lo. Um juiz somente poderá confiar numa testemunha se a lógica e a coerência do depoimento permitirem creditar-lhe fé.
Valendo-me da razão, portanto, creio nas escrituras e na tradição cristã. E o creio porque os primeiros cristãos sofreram com serenidade quando levados à morte por se recusarem a negar a fé. Isto, para minha razão, basta. E justamente a escritura e a tradição me dizem que Deus me ama de tal modo que seria incapaz de me permitir o mal se a partir desse mal não pudesse me oferecer algo melhor (Santo Agostinho).
A partir dessas palavras de Santo Agostinho, a igreja ensina que "do maior mal moral possível, que foi a morte de seu próprio filho, Deus extraiu o maior bem imaginável que é a glorificação do Filho e a redenção de toda a humanidade" (Compêndio do CIC, §58).
Disso provêm a serenidade: a certeza de que Deus extrairá um bem ainda maior do que o sofrimento pelo qual atravesso. O sofrimento para o cristão representa, portanto, a oportunidade de experimentar uma vez mais o amor de Deus, que não criou o sofrimento mas dele se vale para proporcionar uma nova experiência de amor.
Para cultivar a fé precisamos sempre de novo nos aproximar de Deus. Através da oração e a vivência dos mistérios sacramentais transmitidos ao longo dos anos pela tradição cristã. Quanto mais me afasto de Deus, mais fico restrito às minhas limitações. Do contrário, quanto mais me aproximo d´Ele me permito experimentar o mistério da Salvação e, com serenidade, aprender com o sofrimento.

0 comentários:
Postar um comentário