
Quando estava na quarta série primária, o Sarney era Presidente da República e havia recém lançado o Plano Cruzado. No recreio eu comprei uma paçoca por Cr$ 10,00 (dez cruzados) e na semana seguinte a mesma paçoca estava por Cr$ 20,00 (vinte cruzados). Salvo engano a inflação era de 80% ao mês, exceto para a paçoca que nos meus cálculos atingiu 400% no mês.
Lembro que a minha professora lecionava sobre História do Brasil e comentava sobre a parca memória dos brasileiros. Ao final da aula a professora disse: 'daqui a alguns anos, os brasileiros vão dizer que o Sarney era um herói'.
Passaram-se alguns anos e a profecia não se cumpriu. Não por erro de análise da grande professora, mas por culpa do próprio Sarney que continua mamando nas tetas do erário público, empregando a família inteira e desviando dinheiro para as suas infindáveis propriedades no Maranhão. O homem não cansou de meter a mão na cumbuca há mais de 20 (vinte) anos, de modo que ele próprio não se permitiu cair no esquecimento.
Mas, enfim, registro que ainda prefiro o Sarney na Presidência do Senado a estar aposentado escrevendo aqueles ditos livros com os quais ele se embaba dizendo ser intelectual. Isto eu não aguento, já seria demais.

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